A advogada especialista em imigração nos Estados Unidos, Dra. Hannah Krispin, concedeu uma entrevista ao Jornal Ponto de Partida com o objetivo de sanar algumas dúvidas comuns sobre imigração. Primeiramente, ela explicou a diversidade de opções para se dar entrada no processo de imigração.

“Imigração é um campo muito grande, muito abrangente e não existe um processo de imigração apenas. Existem possibilidades, por exemplo, a possibilidade dela fazer processo através de familiares. Se ela tem familiares que vivem nos Estados Unidos como residentes permanentes ou cidadãos americanos, dependendo do Estado de cada pessoa ela pode ou não aplicar para os familiares. Existem processos de ofertas de trabalho, ou se a pessoa tem habilidades extraordinárias. […] Existem também todas as possibilidades e alternativas para quem quer vir também passar um tempo aqui. Na grande maioria dos casos as pessoas tentam vir como estudantes, para fazer um intercâmbio”.  

Sobre o perfil do imigrante brasileiro, a advogada acredita que “não existe um perfil, existem vários. Você tem uma grande número de pessoas que vêm à procura de trabalho nos Estados Unidos. Ainda existe muito a ideia, principalmente do brasileiro, do sonho americano. Eu converso com muitas pessoas que chegam que literalmente sou eu que dou a má notícia de q que a vida aqui não é fácil. É uma vida corrida, trabalha-se barbaramente. Mas sim, é possível.”. 

Na área profissional, os desejos são diversos. Hannah conta que vê pessoas atrás de trabalhos simples, assim como profissionais super qualificados indo para o país. O mercado de trabalho, no entanto, depende do tipo de profissional e do tipo de trabalho que o imigrante procura. Existe também a possibilidade de que a pessoa, interessada em conseguir um visto, aplique baseado numa oportunidade de emprego.

“Obviamente que no atual momento, por causa da pandemia, na grande maioria dos casos a pessoa não consegue nem que o visto seja emitido, uma vez que os Consulados e Embaixadas americanas estão fechadas. […] É possível planejar, onde a pessoa pode, talvez, fazer um processo através de uma oferta feita por um empregador. Mas isso são processos que levam alguns meses, alguns casos até mais do que um ano.”

Hannah explicou também que os oficiais de imigração das embaixadas e dos consulados tem total autoridade para conceder visto para quem eles quiserem. Ou seja, mesmo que você apresente todos os documentos, eles podem olhar e negar. Outro ponto que pode dificultar, ou até mesmo barrar a emissão do visto, são problemas anteriores com a imigração. Ela lembra que entrar de forma ilegal no país é crime federal, onde a pessoa pode ser processada, pagar multa e servir tempo de cadeia. 

A advogada também explicou como o posicionamento do presidente Donald Trump, que já se mostrou contra a imigração diversas vezes, influencia na vida dos imigrantes, sejam eles já residentes no país, que desejam solicitar um visto ou até mesmo turistas e estudantes. 

“Realmente a política da administração do governo Trump é muito anti-imigrante. Não é surpresa porque mesmo durante a campanha das eleições presidenciais, ele foi muito objetivo e foi muito claro que ele queria acabar com a imigração. Ele tem uma ideia de fazer imigração baseada em méritos, não baseada, por exemplo, em familiares. Então que nós temos visto desde que ele assumiu o governo, em janeiro de 2017, para cá é literalmente gradualmente uma política cada vez mais anti-imigrante. Eu diria que hoje em dia em qualquer tipo de processo de imigração, você percebe claramente que o objetivo deles é procurar uma maneira para negar ou dificultar a aprovação do processo e não o contrário.”.

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