Há alguns dias, acompanhei uma live ancorada pelo babalorixá Sidnei Nogueira, professor e doutor em semiótica, e o professor Luis Rufino, na qual debatiam sobre o livro Pedagogia das Encruzilhadas, de Rufino, e compararam os temas escritos com o que vivemos hoje em dia.

Em certo ponto, o professor Rufino colocou uma expressão que me chamou atenção de forma diferenciada, a “política do terror”, onde os poderosos colonialista que estão no poder aprenderam a atacar toda e qualquer forma de cultura diferente da sua.

Vejamos, a cultura negra, que estamos evidenciando agora, é uma riquíssima fonte de expressão quando colocamos suas formas. Música, arte, religião. Toda essas vertentes são as formas que nós, negros do Brasil, temos de nos interligar com nossa ancestralidade. A história negra foi e é constantemente apagada pela escravização que nunca acabou, e nossa fonte de nos ligar ao nosso continente mãe é a cultura que nos foi deixada.

A religião é o maior dos caminhos de interligação com nosso povo, pois nela está inserida todas as outras formas de expressão, mas há algo mais do que isso, a religião nos dá a percepção de que toda a crueldade física e humilhação corpórea é parte de uma passagem de aprendizado. Isso não quer dizer que tenhamos de nos calar e nos curvar a isso, mas o rito de berço africano vai muito além do corpo carnal, e é aí que a política de terror se instala.

A morte não é o fim para quem segue algum caminho religioso que tem raízes no continente africano e por isso, os negros sempre se apegaram as seus orixás e sua família de alma sabendo que aquele sofrimento era passageiro, que logo seriam abraçados pelos que realmente os amam para viver a eternidade em paz. A política de terror se instala exatamente quando os colonialistas entendem que isso é sim uma base de força para vida negra, e aí começam seu plano para afastar toda a cultura religiosa negra de seu povo. Afastar seu povo de sua cultura é uma jogada de assombro gigante, pois tira dele toda sua possibilidade de continuar os caminhos de seus ancestrais. 

É aterrorizante pensar que, de alguma forma, não se pode acreditar no eterno, no formato religioso, e que tudo se limita a essa vida, e aqui, uma única religião eurocentrista te dá as cartas de como você tem que agir para, quem sabe, ser abraçado pelos seus deuses, que são brancos. Vemos então que o racismo religioso parte para muito mais interior do que somente pelo diferente, e sim como manobra para a contínua opressão e controle dos corpos negros, que sem sua cultura, não tem sua esperança.

Por Robert Ferreira, jornalista formado na Universade Unigranrio. Escreve para seu blog sobre a cultura negra, o racismo e religião. Para conhecer mais do trabalho, clique aqui.