Dentro do universo cinematográfico das produtoras de histórias em quadrinhos, como DC e Marvel, podem conter mensagens políticas e críticas que passam despercebidas por muitos, e tiveram início lá nos quadrinhos. Os quadrinhos que inicialmente tinham como público alvo crianças e adolescentes, logo se tornaram uma forma de entretenimento voltado ao público geral, por conta de críticas direcionadas à situações recorrentes da época. No século XX, por exemplo, o maior entretenimento era a leitura. Os autores aproveitavam o espaço, dessa forma, para colocar as ideologias e manifestações em prática, como a criação dos X-men, Mulher Maravilha, Capitão América, Sam Wilson, entre inúmeros outros.

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As editoras dos quadrinhos buscavam se apropriar de movimentos atuais, o que atraía o público, além de permitir que os quadrinistas expressassem suas opiniões pessoais. Exemplo disso é a criação da Mulher Maravilha, que apesar de ter sido criada por um homem (William Moulton Marston) e ter sua aparência super sexualizada, é um símbolo enorme do feminismo dentro dos quadrinhos da DC. A heroína, que aborda características de uma mulher forte e independente e que luta por seus ideais, já foi bastante polêmica em suas histórias, justamente por sua personalidade, algo a frente do tempo à época que pouco abordava questões como a luta das mulheres, direito ao ensino superior e ao voto.

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Um outro tema bastante abordado e debatido nas histórias em quadrinhos é o racismo. Alguns personagens como Sam Wilson (o futuro sucessor do capitão américa), Luke Cage e Super-Choque foram alvos da demonstração do racismo dentro de suas produções, porém tiveram suas origens tardias e, se for analisar a popularidade dos heróis, é possível notar que os mais populares ainda são brancos(Batman, Superman, Capitão América, Homem de ferro), isso por conta da longa espera para a inserção deles.

Pantera Negra foi o primeiro herói negro a aparecer em uma história em quadrinho, fazendo parte de uma edição do Quarteto Fantástico, em 1962. Luke Cage também foi um dos precursores dos heróis negros nas HQ’s, mas só foi surgir uma década após T’Challa. Logo depois surge Sam Wilson, que era coadjuvante do Capitão América, e Super-Choque, não podendo deixar de citar Miles Morales, um dos principais personagens do universo do Homem Aranha, sendo sucessor de Peter Parker em algumas versões. Vale alertar que, antes dos heróis, os quadrinhos abordavam negros como criminosos, uma versão estereotipada, inclusive abordada na história de Cage.

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Os quadrinhos dos X-Men, talvez sejam uma enorme referência de política e luta de causas que já foi abordada na Marvel. A luta pelo respeito às diferenças e contra a xenofobia, eram abordadas em todos os momentos, onde os mutantes da mansão do Xavier tentavam unificar os mutantes e humanos, a fim de remover o medo que os humanos tinham do diferente. Além da xenofobia, os X-Men também trouxeram à tona o primeiro casamento gay, entre Northstar e Kyle Jinadu, a Marvel abordou mais pra frente outro casal, formado por Hulking e Wiccanno, que posteriormente foram envolvidos na censura na Bienal de 2019 por conter um beijo gay.

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Há um tempo, durante a candidatura de Donald Trump, o Capitão América foi dado como integrante da HYDRA (organização nazista fictícia nos quadrinhos da  Marvel), a notícia viralizou e fez com que todos questionassem a origem do herói, que antes era visto como um defensor da pátria, um bom herói e que na real era um nazista que servia a Hitler e seus ideais. Para a felicidade coletiva, a história foi abordada em forma de protesto contra Trump, por conta das falas e discursos “make America great again” que se comparam ao proposto por Hitler na Alemanha. Capitão América e Superman têm um grande histórico de defesa aos que não conseguem se defender e, uma ação como esta, seria oposto de tudo que eles acreditam e defendem.

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O universo dos quadrinhos trouxe abordagens positivas, porém de forma tardia. São coisas que deveriam ser inseridas bem antes a fim de explorar mais o lado da diversidade e política, contudo, é possível compreender que, foram épocas difíceis e que eles tinham uma forte influência da população, o que impedia a criação de coisas fora daquilo que estavam acostumados, o conservador.

E também que, com o tempo, além de protestos e inserção das ideologias nos quadrinhos, eles enxergaram o lucro naquilo e uma forma de manipular o público, nota-se sempre os Estados Unidos como o “mocinho” da história e o vilão com uma ideologia opositora. Por fim, é evidente a presença de políticas dentro dos quadrinhos e que talvez, a política conduza a produção deles.