Podem ser pelas festas bonitas que enriquecem os estádios, pelas músicas declarando amor pelo seu time do coração, pela maneira “diferente” de torcer em relação aos demais, motivos não faltam para a decisão de uma pessoa se associar a alguma torcida organizada.  Nos dias atuais, as torcidas não são mais vistas como um fator positivo dentro do dia a dia do clube. Ao longo dos tempos, interesses pessoais tomaram a frente do amor pelo clube, e na prática, muitas delas viraram empresas, vendendo seus próprios produtos usando as marcas do clube, sem autorização. Muitos se aliaram a política em busca de privilégios, alguns saíram da torcida para ser presidente dos clubes, e há casos confirmados de associações a facções criminosas. Nesse cenário, fomos buscar o que ainda leva pessoas comuns a se ligarem a organizadas nos dias atuais.

A reportagem conversou com 2 participantes de organizadas. Um preferiu não se identificar por questões de segurança. Ana Paula, de 23 anos, não teve medo de se identificar por acreditar não fazer parte das organizadas que se instalaram no Brasil. Pertencente a Guerreiros do Almirante, torcida do Vasco da Gama, hoje a principal torcida atuante no dia a dia do clube e que, não se intitula organizada. A GDA (Guerreiros do Almirante) se intitula como “barra brava”, como ela conta “ O que mais me chamou atenção na torcida foi a forma que eles cantam o amor pelo time, os materiais de jogo como bandeiras, cachecóis, sinalizadores…”

“Barra bravas” são torcedores que formam um tipo de organizada durante os jogos, porém não organizados como as outras. As barras bravas não contem equipamentos próprios, como camisas com nome de sua torcida, ou venda de produtos que fazem alusão a sua torcida. Também não tem sócios em fundações fora do clube, com carteirinhas, sede, festas próprias. Na prática, são hoje os que fazem as festas dentro dos estádios. Com estilos de torcida hispânicos, nasceram nos países vizinhos como a Argentina e Uruguai e logo chamaram atenção por se o oposto das torcidas organizadas. Cantam e gritam seu amor pelo clube, e não o nome da torcida, coisa que é duramente criticada por torcedores “comuns”.

(Imagem: Twitter Guerreiros do Almirante)

Já o segundo entrevistado, que vamos chamar de “D”, é torcedor do Flamengo, pertencente a “Urubuzada”, torcida organizada fundada em 2006 por ex participantes de outras torcidas organizadas do flamengo. Bastante atuante, ele conta que também conheceu as organizadas vendo as festas nos estádios “ Comecei por gostar das festas bem elaboradas, pelas comemorações. No começo havia uma ideologia por trás, uma motivação para estar ali. Era muito tentador”.

(Imagem: cedida pelo personagem “D” em uma caminhada para o jogo em 2018)

Quando o assunto se encaminha para as brigas, ele deixa claro que já não é mais benéfico participar de organizadas, pelo alto índice de confusões que eles se envolvem, por culpa ou não dos mesmos “Não vejo mais benefício participar de organizada, ha não ser que você tenha um vínculo, amizades, como é meu caso. As grandes organizadas incentivam sim a violência. O momento mais apaziguador dos membros são quando estão dormindo. Já presenciei diversas brigas”.

Brigas essas que vão fazendo vítimas. No último sábado, dia 10/11, mais um torcedor foi morto decorrente a esses confrontos.  Torcedores do Botafogo e Flamengo se enfrentaram na Av. Brasil, na altura da Penha. No confronto, Pedro Henrique Vicente Santana, de 25 anos, pertencente a Torcida Jovem Fla, foi morto na briga. Outro torcedor foi baleado e mais de 60 foram presos.

(Imagem: site oficial Urubuzada)

As organizadas tomaram partidos pessoais visando seu próprio beneficio, e não o amor incondicional ao clube como prometera. No Post a seguir, a Urubuzada se posiciona politicamente dentro das eleições de presidente do Flamengo: Casos assim estão comuns no futebol, como por exemplo, o presidente Andrés Sanchez, do Corinthians, era participante da torcida organizada do clube, Gaviões da fiel. A reportagem tentou entra em contato com a torcida, mas não foi atendida.