O palco foi criado com o objetivo de mostrar as múltiplas culturas dentro das favelas cariocas

Figura 1 . Espaço Favela/ imagem site B9.com


Maior festival de música do mundo, o Rock in Rio inaugura em sua próxima edição, em 2019, o Espaço Favela. Um espaço grande, lúdico e colorido que apresentará performances de música, dança, teatro e algumas atrações culinárias protagonizadas por artistas de periferias do Rio e Baixada fluminense.

A inspiração para criação do palco veio após um tiroteio que ocorreu no mesmo momento em que cerca de 120 mil pessoas se deslocavam para o festival em 2017. O plano do presidente do festival, Roberto Medina, é fazer com que esse espaço chame a atenção para os problemas recorrentes nas favelas: “É o início de um grande movimento para resgatar a autoestima do carioca, uma forma de debater o que o poder público pode fazer pelas favelas”, afirma.

Ainda de acordo com a organização do evento, a intenção do projeto é fazer com que o palco seja uma vitrine para os vários talentos que se apresentarão nas duas semanas do festival. Porém, essa notícia não foi muito bem aceita por parte do público que acompanha o evento. Há questionamentos sobre os motivos para a criação desse palco. Acontece que o Rock in Rio é um evento de grande porte tendo como público alvo a sociedade média e alta que não sabe como funciona ou o que acontece dentro das comunidades, fazendo com que o público geral pense que esse espaço seja uma gourmetização das comunidades.

Para falar um pouco sobre essa discursão o Ponto de Partida pediu a opinião do coordenador de história da Unigranrio, Renato da Silva, onde ele fala da representatividade da cultura dentro da favela em um espaço urbano.

“A proposta do evento é vender alguma coisa, se esse espaço está sendo dado é porque os organizadores, ideólogos do evento pensam na possibilidade que esse espaço favela também seja um espaço de vender cultura, formas de sociedade, relações, e representando algum tipo de identidade de espaços urbanos dentro da cidade, portanto é muito simplista dizer que isso é negativo ou positivo, é o momento de transformar aquilo em algo que se possa criar um produto daquele espaço sem significar apropriação cultural ou glamorização de espaço”

O Rock in Rio se iniciou como festival musical voltado para o rock, porém atualmente é um grande festival cultural e de diversidade de gênero musical de um nível global, abrangido culturas de todo o mundo, portanto o espaço favela não é a primeira atração a ser incluída. Então questão é por que só agora.

“No passado quando se iniciou o evento era somente com artistas de rock e alguns outros gêneros começaram a se apresentar em alguns momentos foram aceitos ou não e houve negatividade, na última edição por exemplo muito se falou sobre se a cantora Anitta deveria ou não se apresentar, esse discurso foi mudando já que algum tempo atrás os organizadores falavam que isso nunca aconteceria e daqui a alguns anos alguns vão se perguntar o por quê de um artista sertanejo não está na line-up, pois o Rock in Rio deixou de ser um evento apenas para um determinado grupo de pessoas e maior responsável dessa mudança são os organizadores”.

Transformar um espaço de realidade simples de grande parte da população brasileira em entretenimento não quer dizer algo ruim, já que o objetivo do mesmo é mostrar para aqueles que conhecem apenas a violência das comunidades o seu lado talentoso.

Texto de Vanessa Silva, aluno do 8º período de Jornalismo, com supervisão de Leandro Lacerda.

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